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Testemunho ( 24/5/2005 )

Por gentileza da Ex.ma Senhora Dª Sónia Patrício transcrevemos o seguinte email:

 

 

«Exmos. Senhores,

 

venho por este meio informá-los que o Vosso sócio João Francisco Alabaça Patricio, já não é membro da vossa associação, pois já não está entre nós desde o dia 12/12/2004.

 

Eu sou sua filha e gostava de aqui deixar algumas palavras sobre o que foram estes últimos 4 anos de sua vida, apenas para que outros doentes que estejam a passar pela mesma situação, possam aqui ler um caso de esperança constante e muita força de viver...

A 10 de Outubro de 2000, o meu querido pai fez a colostomia que viria a mudar toda a sua vida. Tudo correu na perfeição, as melhoras do pós operatório eram grandes de dia para dia e a pouco e pouco, aquilo que no inicio foi um incómodo, passou a fazer parte da sua rotina diária.

 

O conselho que dou a todas as pessoas que passem pela mesma situação é que enfrentem a doença e não deixem que ela vos enfrente a vocês, pois assim tudo se torna mais facil.

 

A seguir à operação fez alguns tratamentos de quimioterapia apenas por precaução (+/- 6 meses e 1 vez por mês) e 1 ano e meio se passou sem nenhuma reincidência.

Quem o conhecia e até quem não o conhecia, achava-o cheio de força de viver, falava da doença com tanto à vontade que deixava quem o ouvia boquiaberto, sempre bem disposto, optimista e com fé de que tinha ultrapassado o Cancro do cólon.

Passado este 1 ano e meio (inicio de 2002) vieram as análises de rotina que desta vez mostravam os marcadores com valores elevados, situação nada normal para quem tinha a situação resolvida.

 

Começaram ai a chuva de exames e nada acusava, nem tac nem ecografia, nada... Foi então detectado que tinha metástases no figado... e a nossa vida deu novamente uma volta e mais uma vez veio o pesadelo.

Fez 1 ano de quimioterapia até que os médicos se decidissem a operá-lo, operação esta que só se concretizou em 10 de Setembro de 2003.

Entretanto no decorrer do ano de 2002 e 2003 começaram umas dores na coluna que medico após médico insistiam que eram apenas «bicos de papagaio», opinião esta que sempre achamos duvidosa, uma vez que dada a doença do meu pai, existia sempre o perigo de reincidências, mas ninguém lhe mandava fazer exames mais específicos.

 

No final de Outubro de 2003 e depois de uma operação paleativa ao fígado que não resultou, o meu pai em 2 dias apenas perdeu o andar: fez uma compressão da medula ossea e tinha metástases em algumas vértebras. Os médicos disseram-nos então, que o seu tumor era muito agressivo, resistia a tudo e a todos.

 

Este ultimo ano foi de muito sofrimento especialmente para ele, mas também para nós, filhas e mulher que sempre o acompanharam.

 

Mesmo assim lutou até ao fim sempre com muita força.

Há 2 meses atrás a sua qualidade de vida diminuiu substancialmente com muitas idas e vindas constantes para o hospital e nesta altura sim, ele desistiu de viver.

A própria equipa de médicos que sempre o acompanhou no Hospital do Barreiro, chegou a dizer-nos que não sabiam como é que ele tinha chegado até aqui.

O final dos seus dias foi no hospital, com algumas complicações respiratórias, com uma sonda nasogástrica para ser alimentado, com muita dificuldade em falar e num estado constante de sonolência, mas sempre consciente.

 

Uma das ultimas coisas que me disse, mais propriamente 2 dias antes de partir foi: «Filha, que pouca sorte que o pai teve!».

 

É verdade, pois era um homem de 61 anos que poderia ainda ter muitos anos pela frente, com muita coisa para partilhar, assistir e ensinar, mas Deus assim quis.

 

Deixo aqui esta mensagem como um testemunho de Coragem e Esperança, pois existem muitas pessoas com a mesma doença que têm a sorte e a oportunidade de poder resolvê-la.

Peço-vos que nunca deixem de lutar pela vida, enfrentem a doença de frente, nunca baixem os braços, pois é a melhor forma de vivermos um dia de cada vez.

 

Por tudo o que o meu pai passou e pela pessoa que sempre foi, amiga, compreensiva, culta, enfim...O meu pai é e será sempre o meu herói!

 

Espero desta forma poder ajudar alguém com a nossa experiência.

 

Sónia Patrício,

21/12/2004»